Então me perguntaram “por que sentimos
atração por alguém?” Bem, sentimos por que sentimos. Convenhamos, não é uma
resposta esclarecedora.
Alguém achou que é por que achamos
alguém bonita ou bonito. É uma resposta, mas insuficiente.
Uma hipótese mais interessante é dizer
que sentimos atração por alguém quando mudamos a imagem deste alguém de visual
para mental. Qual é a diferença?
Imagem visual é um padrão de linhas,
traços, cores e movimentos. Vem do mundo exterior diretamente para a zona de
processamento visual do cérebro.
Imagem mental é o que o cérebro faz com
ela. Portanto, a imagem mental é o aproveitamento da imagem visual; e no caso
da atração, uma projeção futura.
Projeção futura?
Quando
enxergamos algo, essa imagem sai da retina e segue na direção do tálamo. Ela o
faz por uma estrada de duas vias. Uma carrega informações práticas, como os
detalhes visuais, as cores, os ângulos etc. A outra, informa movimento e busca
por promessa.
Do tálamo, o enxergado vai ao córtex, o
lugar do cérebro mais sofisticado; é onde a informação é processada em
definitivo.
Por que o tálamo, já que a imagem é
processada no córtex cerebral? É por que dele a informação visual é despachada
para outros centros, notadamente para a amígdala cerebral e as zonas de
processamento das emoções.
Enquanto a informação visual é
processada no córtex visual, nós desenvolvemos por ela certa simpatia ou certa
antipatia.
O processamento visual busca determinar
da melhor maneira possível os detalhes do que foi enxergado; mas, ao final,
essa imagem visual receberá uma atribuição inconsciente de valor. Essa
atribuição é emocional e é regida pela amígdala cerebral.
Essa pequena estrutura do cérebro age
como um verdadeiro leão-de-chácara de boate; é ela quem deixa passar o que é
importante e barra todo o resto.
Quando a informação visual sinaliza,
pela mais diversas razões, perigo ou desprazer, a amígdala organiza um conjunto
de ações em sua defesa. As pupilas dilatam, o sangue corre mais rápido pelas
artérias, o raciocínio fica ligado, os reflexos estão em alta e qualidades
agora supérfluas como criatividade e intuição são afastadas.
Se a passagem pelo leão-de-chácara se dá
sem esses dissabores, a imagem visual ganha acesso ao interior de um labirinto
luminoso de lembranças, memórias e possibilidades de prazer.
Agora, um
mecanismo denominado de “ressonância” se instala. Se essa informação visual,
que nessa etapa está praticamente processada no córtex visual, encontra eco no
porão da memória emocional, então o sistema conclui que se trata de algo que
poderá voltar a originar prazer no futuro.
Não lhe chamou a atenção, lá em cima, o
termo promessa?
Quando tudo
estiver pronto com o que foi enxergado, a imagem visual estará ligada a uma
promessa futura, cuja vivência é essencialmente prazerosa. Então, agora temos
uma imagem mental. Imagem mental é a imagem visual tisnada pela proposta para o
futuro. Atração é imagem misturada à proposta de prazer.
E isso tudo ocorre em segundos; mais
adiante tudo será percebido como “atração”. A promessa se refere a sensações
agradáveis que proporcionarão afinidade, compreensão, união, completude e
êxtase.
Daí em diante será uma questão das
coisas certas serem ditas, da aproximação a ser realizada e da confiança mútua
que precisa ser instalada.
Se soubermos disso tudo, o que podemos
fazer em nosso próprio auxílio?
Depende se você é o enxergado ou se está
enxergando. Se você é o enxergado ou enxergada, saiba que quem lhe vê não busca
por beleza somente; ela ajuda mas é o movimento que provê as informações
adicionais e que elevam a chance de encontrar uma promessa no cérebro de quem
vê.
Se você quer impacto em alguém que lhe
espreita, mova-se. Aja. Fale, sorria, gesticule. Enriqueça suas chances.
Se você for o enxergador(a), é hora de
confiar na sua sensibilidade. Agradam-lhe os movimentos que ele ou ela faz?
Você os sente como prenúncios, sua intuição sussurra algo?
Observe a imagem no início do texto. Ela
impressiona mais pelo movimento dos personagens do que pelo erótico.
Muito bem. Hora de perguntar-se: você é
capaz de “sentir” o que vê? Tem acreditado nos seus sussurros? Dado atenção aos
corredores luminosos do seu porão emocional?
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